domingo, 26 de agosto de 2018

A Patologia do Antagonismo Esquerda-Direita

Tomei a liberdade de usar a palavra "patologia" como adjetivo para o antagonismo esquerda-direita, porque essa "gerra civil ideológica" é altamente prejudicial à saúde política e a democracia, tanto quanto a corrupção. Claro que tal antagonismo é histórico e necessário na dinâmica busca por uma civilização mais desenvolvida e socialmente justa. Enquanto esse antagonismo é uma luta entre classes sociais distintas (Ricos vs. Pobres) tudo é bem claro e compreensível. Tem fundamento. O problema é quando o conflito ocorre entre cidadãos da mesma classe social, ou camadas próximas.
Uma "gerra civil ideológica" onde só os pobres e a classe média perdem.
A manifestações que começaram no Brasil a partir de 2013 foram um "segredador de águas", na pior interpretação. Parece que os dicionários foram queimados ou reeditados para inverter significados de palavras como "liberalismo" e "conservadorismo". Daí surgiram movimentos claramente conservadores que se dizem liberais, ao passo que as ideias progressistas passaram a ser vistas como um mal corrosivo e destruidor devido a experiências negativas de governos de esquerda dentro e fora do país.
Certamente temos amigos pessoais e "virtuais" de esquerda e direta, que se gladiam conosco ou com outros ideologicamente. Troca de frases prontas, "papagaiagem", dos dois lados. Piadas, memes, ofensas etc. Temos também amigos que se abstém da política - o que é um problema, pois quem não se interessa pela política continua sendo governado e explorado por quem gosta. 
Esses rótulos que usamos e essas briguinhas, piores que rivalidades entre times de futebol, não são nada produtivos. Precisamos, mais do que nunca, se unir para construir novas ideias. Isso só se faz quando debatemos ideias divergentes sabendo ouvir e compreender o outro lado. O diálogo deve ser aberto. Não precisamos reinventar a roda. As ideias que não funcionam jogamos fora, e as boas práticas nós aproveitamos.
Enquanto as classes humildes se gladiam nas ruas e nas redes sociais ou ricos assistem tudo de camarote confortavelmente, torcendo para que esse conflito continuem. Pois assim é mais fácil para eles, não ter que entrar em campo. Quanto mais os pobres brigam entre si mais fácil é a manipulação. Mais fácil é o acúmulo de fortuna.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A culpa foi dos anos 1990

Creio que nem todos os adultos de hoje, que foram crianças na década de 1990, vivem sem sequelas de uma época de verdadeira bagunça nos meios de comunicação. Mais que sequelas, há uma negação ao amadurecimento. E não digo isso em relação à nostalgia de desenhos animados e games de sucesso. É sobre o conteúdo que passava na TV sem filtros e o apelo da indústria dos brinquedos.
Antes de continuar gostaria de advertir que apesar deste texto ser para todos, está mais para um papo de "menino" para "menino".
Seria hipocrisia minha dizer que eu não tenho saudades da programação da TV quando eu era criança. Porém, reconheço que aquilo era uma verdadeira bagunça, e uma prova de como as ditaduras fizeram mal para o Brasil, inclusive por retardar nossa democracia, nossas discussões éticas e cultura em geral.
As marcas da ditadura mais recente, que terminou na década de 1980, nos faz entender a imaturidade dos anos 1990, com pornochanchadas importadas e filmes de retorcer o estômago na TV aberta durante à tarde. A lista de absurdos é maior. Faça um esforço de memória. Lembra da "Banheira do Gugu"? Em plena tarde de domingo as celebridades usando sungas e biquínis fil dental. Aquilo era o "Xvideos" da garotada. Transmissão ao vivo. E a torcida para que os minúsculos biquínis deixassem aparecer mamilos - e outras coisas talvez - durante as lutas para pegar sabonetes. Claro que a Justiça tinha que proibir. Mas passamos anos desejando a volta da "Banheira" - confesso que tento abandonar o sonho de participar da brincadeira (risos).
Como nós, meninos, somos ridículos.
E a babaquice dos anos 1990 deixou suas marcas nas duas décadas seguintes. Muitos pensam que é caretice discutir sobre bullying, racismo, sexismo, machismo, homossexualismo etc. Que não se pode fazer mais piada. Quando na verdade pode sim, desde que isso não tenha como base o preconceito, o ódio e o pouco caso como que é diferente. Demoramos para ter democracia. Uma democracia que ainda está evoluindo. Precisamos deixar de ser babacas. Precisamos crescer. Se a gente não levar as coisas mais a sério, negar o conhecimento, negar o deixar viver, não entender o "politicamente correto" e querer resolver tudo nada bala, a ditadura vai voltar, e pior. Pode voltar como uma teocracia. Esta sim, é uma baita caretice.